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sábado, 30 de abril de 2011

Úbere tristeza


(Imagem: Tristeza; Autor desconhecido)

Úbere tristeza à ânsia da noite
me guardas desperto
sem medo, sem sono e sem dono
mas por fim com o assombro
de ver-te tomar tal tortuosa via,
não a mais escura, contudo a mais fria
qual a sentinela é a agonia.

D’angústia os sonhos se perderam
E quimera nasceu ditosa,
A devorar a agrura de minha idéia.

Monstro da noite
Deixe-me aqui
pra ver por ventura uma idéia surgir
poder descansar já não pretendo,
entretanto não quero divisar tua figura!
Dando vida a este tormento.



Duque de Caxias, 23 de Julho de 2009.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Noites claras


(Imagem: Insônia; Autor desconhecido)


Despido da razão qual me assola
Vago na estrada do desconhecido,
Pelos caminhos do pensar
Ou no beco dos segredos.
Nem sonhos me são permitidos,
Ou mesmo o amar pueril.
Na dor se faz escondido
O cantar que vivia outrora.

Eis! O calar rememora
No lar da sofreguidão silente!
Pois, o canto calado outrora
Mantinha esse ser vivente
Agora resta apenas o fantasma
A ladrar nas noites frias,
A depositar o confio das lágrimas
Aos cuidados da muda poesia.

E mesmo a musa que antes sustinha
O antigo peito enamorado,
Não cabe nos versos quadrados
De uma doce melodia
E nem há de correr pelos seios
Da antiga inspiração.
Perdendo-se na frieza
Das noites à luz acesa
A celebrar a solidão.

O metrô


(Imagem: O metrô; autor desconhecido)




O metrô avança um metro sem sentido
Por de baixo do concreto pensamento
Transportando incertezas sem destinos,
Libertando da distância a consciência.
O metrô desfaz o ciclo do destino
E propõe o refutar do espaço-tempo.
Leva o sonho pela beira do abismo
Revelando o desvio do intento,
O metrô transcende as gotas flutuantes,
Na clareza do espelho que nos cerca
Dá idéia de universo escuro e infindo,
Porém, apenas é o limite o que reflete.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Arquiteto de ruínas






Arquiteto de ruínas sou,
Tão avesso as construções
Amargando ao coração
Que por abrigo me tomou.

Atando-me a pobreza
De minha parca mente
Ao olhar que vem dolente,
D’onde só resta a aspereza.

Contento, sinto ao ver o marrom,
De folhas a se lançarem de árvores
Caindo solenes e breves,
Por ter do verde perdido o tom.

Sublimo o céu que cinza
Reflete o que trago dentro,
O sentir de leve afila,
Não desfruto de proventos.

Portanto andando vou,
Tão avesso a emoções
Decrépita construção
Arquiteto de ruínas, sou!



Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2010.

Canto do boêmio à rainha negra





Chega a noite com seus negros olhos

Convidando-me a bailar sob estrelas,
Acendendo em meu peito a centelha
Da vida que se fazia silente.

Enamora-me esta rainha negra.
Que fremente invade meu ser
Traz em seu colo o colar d’estrelas
Qual faz minha tristeza fenecer.

Remexe-se com graça de deusa,
Em meio à harmonia suave
Cantada pela voz mansa do vento
Mesclada com o silenciar das aves.

Em seu fulgente peito remoço
Prostrado ante, majestosa luz.
Da perfeição tu és o bosquejo
És a egéria que meu cantar conduz.





Duque de Caxias, 18 de abril de 2011.

domingo, 17 de abril de 2011

Lamúrias de um louco.: Cantigas de sereias

Lamúrias de um louco.: Cantigas de sereias: "Chegava o poeta das terras áridas,Não cabiam nele os frutos da arte,Por onde fosse a qualquer parteCantava seus sonhos em versos.Em nota..."

Lamúrias de um louco.: O silêncio

Lamúrias de um louco.: O silêncio: "(Imagem: Silêncio; Autor desconhecido) Cinge-me o corpo, etéreo mantoO reflexo abstrato do vazio,O calar das notas vibrantesQuais compunha..."

Cantigas de sereias





Chegava o poeta das terras áridas,
Não cabiam nele os frutos da arte,
Por onde fosse a qualquer parte
Cantava seus sonhos em versos.
Em notas, bradava o excesso
Da tristeza que lhe enchia o peito.

Era como o amor-perfeito
Despetalado na primavera.
Nutria em sua alma quimeras,
Amargava o coração com saudades,
Nem sempre havia a vontade
De ver despedaçadas as pétalas.

Como já dito era poeta!
E como tal vivia entre dúvidas
De viver em noites dúbias,
Ou volver ao seio amado?
O pensar voava abrasado
Fustigado em fedo tormento.

Restava-lhe somente o lamento
Entre as cores dos tons menores.
Tão-somente em meio às vozes
Das cantigas de sereias
Quais cantavam nas areias.
De seu castelo destruído.



Rio de Janeiro, 14 de abril de 2011.

domingo, 10 de abril de 2011

O silêncio


(Imagem: Silêncio; Autor desconhecido)


Cinge-me o corpo, etéreo manto
O reflexo abstrato do vazio,
O calar das notas vibrantes
Quais compunham o estrugido.
Que outrora se ouvia em montes,
Ecoando por campos verdejantes,
Dando alento e abrigo aos sonhos.
Resta agora apenas o calar,
Dum copo vazio em minha frente,
Uma porta que se acha destrancada
E a certeza que ninguém irá entrar.



Rio de Janeiro, 21 de julho de 2010.




Dedos gélidos



(Imagem: Espelho; Autor desconhecido)


Os gélidos dedos da noite
Tocam minha pele pura,
Destilam o pensar vazio
Detém a vida que passa.

Por ruas sujas caminho
Sem saber qual é o vetor,
Amiúde se vai o destino
Por entre labiríntico torpor.

A luz me cega os olhos,
Que vagam no deserto
Fitam amigos ilusórios
De meu mundo irrequieto.

Quem é esse que me olha,
Que reprova minhas ações,
Que se esconde no negrume,
Se desviando desse lume
Por fastias sensações?

Reconheço esses olhos,
Esse corpo em pleno açoite,
O pensar que se perdeu,
Este a me julgar sou eu.
Tocado pelos dedos da noite.





Rio de Janeiro, 20 de junho de 2010.

terça-feira, 5 de abril de 2011

As facetas da alma




(Imagem: Id, Ego e Superego; Autor desconhecido)


No fundo desse pútrido ser
Encontra-se o bem e o mal,
Não sei quem irá prevalecer
Ou quem ruirá no final.

Não sou aquiesço, porém
Do que possa ser o mal
Por vezes me faz de refém
Por outras, um rei infernal.

Contudo, não adiro inteiro
Com o que acho por bem,
Pois, faz-me prisioneiro
Do sádico prazer de alguém.

E neste duelo sem intento
Permito-me ser passivo,
Fazendo-me atento
Para no fim ser consumido.

sábado, 2 de abril de 2011

Copo vazio


(Imagem: O copo vazio; autor desconhecido)



O copo vazio largado à mesa,
Reflete o tolo que lhe divisa
Reluzente pela luz que chega,
Deixado pela mão que lhe cingia.

A boca selvagem já não lhe beija
Não sente o afável sabor do sumo,
Eufórico ensejo não corteja
Mas, se faz oco pro poeta mudo.

É apenas mais um copo vazio
Qual pela vida foi esquecido
Sem voz, amor, sonhos ou desejos.
Incapaz de lançar um estrugido,
Ou mesmo revelar seus segredos.


Rio de janeiro, 31 de outubro de 2010.

Pela janela



(Imagem: Fanatismo; Autor desconhecido)





Veja pela janela entreaberta,
O tempo permanece parado
O verde tapete molhado
Sozinho desfruta lembranças

E há ainda a esperança,
De seu corpo voltar a deitar.
Enquanto chora sozinho
O verde tapete de linho
Implora pro tempo passar.

Veja por esta janela,
Os pássaros não alçam vôo
Por medo de na hora do pouso,
Não ter tua mão como lar.

E no ninho despedaçado
O vácuo reina solene
Por falta da vida perene,
Que antes habitava por lá.

Veja pela janela entreaberta
Tua mente sofre em segredo
Pois não consegue livrar-se
Do inefável desassossego
A te olhar pela janela.





Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2010.





sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ao fim da noite




































E nasceremos ao fim desta noite
Com a alvorada nos fortalecendo
E gozaremos de um livre plainar
Que nos liberta do invólucro insano.

Como canários cantando ao vento
Os outros seres nos vão enxergar
Mas, poucos sabem que é desse jeito
A maneira de parar o tempo.

O velho louco, que habita a esquina
Onde o irreal se cruza ao concreto,
Encara a vida olhando-a nos olhos
Enquanto sente no peito o abscesso.

Ao fim da rua se acaba o mundo
Esse é o momento de se libertar
Acenda a chama de seu pensamento
Para ver com ele o sol despertar. 




Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2010.

As pétalas do tempo








Cai sobre mim o peso das horas
Nefandas pétalas da flor do tempo
Bestiais ruínas do pensamento,
Rasga lentamente a bela aurora

Ignóbil fenecer dos bons momentos,
Jazigo temeroso e implacável
Qual guarda o incerto destino.
Trar-me-á um fim amável,
Ou zombará de mim enquanto mínguo?

Serei eu teu eterno escravo,
Oh! Tempo impuro e visceral  
A mim tu dedicas o escárnio
De viver sob dor infernal.




Rio de Janeiro, 17 de março de 2011.