sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vozes




Vozes



Pelos degraus das cores
A vida se impôs exaurível
No falar que surgia da voz
De um translúcido vagante.
Não pelo tom elegante
Ou pelo bailar de belas letras,
E sim por trazer no vago peito
A esperança no amanhã.

Também saltou fervilhante
Com opulento som bravio
Da voz a soar marulhante
Em um temeroso idílio,
Onde os versos que o ungia
Eram as lâminas de fio fino
A retalhar o amor de outrora
O espalhando pelo chão.

Viu-se por estes degraus
Um sentimento a sucumbir,
O fremir da hostilidade
E o voar de pensamentos,
Porém o que esteve tácito
Em meio ao afago do vento
Foi o sorrateiro adejar
De um uníssono lamento.




Rio de Janeiro, 27 de maio de 2011.

Entre ondas e pensamentos (Indriso II)


(Imagem; Mar Bravio, autor desconhecido) 


A noite imerge-se num bailar angustiante de horas...
Definho eu em pensamentos espargidos pelo chão!
Alva neblina me abraça lançando o olhar ao esmaecer

Negando imagem línea que limita o gigante azul.
Do mar de luz quero ver as ondas bravias,
Impulsionando o frágil barco a suportar

Os impropérios que permutam essa vida,

De velho lobo sob as estralas a velejar.



Rio de Janeiro, 03 de junho de 11.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Angústia



(Imagem: Anxiety; Edvard Munch)



No ventre fecundo
De idéias alheias
Que engloba vidas,
Diferencia sonhos,
Sublima o encontro
Do eu no outro,
Em cada olhar
Que me atravessa...
Estou no que grita,
Que canta em noite fria,
No que se cala com o dia,
Ou à morte aos poucos
se entrega.


26 de Fevereiro de 2010.

Vestida de luz



(Imagem: Mulher Vestida de Luz; Autor: Dominique LeComte)



Vestida de luz


Caminhar soslaio de tão pura menina,
Em pequenos passos a ressoar,
Diante de olhos distantes e famintos
Tão longe que a infante não pudera notar.

Cantava e pulava lúdica, distraída,
E os olhos a segui-la por tudo o caminho,
Desejando a pele doce e sadia.
Tocar os cabelos em tal desalinho.

Notam então no sorriso a malícia,
Da menina a dançar em suave brisa.
Rodopia a bela enquanto a noite silencia.
E aos olhos ocultos; do amante castiga.

A luz da lua punge-lhe os seios,
A chamarem para si toda atenção...
Convidam os olhos a bailar em enleios.
Com o ritmo aumentado do coração.

Despiu-se agora a bela menina,
Os olhos sedentos são, só coração.
Sequiosa boca se encontra na dança!
O peito arrebenta de tanta emoção.

Corpo divino, de casta alvura,
Balança e aquece o pensar do amante,
A menina vestida com luz da lua
Faceira diverte-se com o olhar errante!  

sábado, 30 de abril de 2011

Úbere tristeza


(Imagem: Tristeza; Autor desconhecido)

Úbere tristeza à ânsia da noite
me guardas desperto
sem medo, sem sono e sem dono
mas por fim com o assombro
de ver-te tomar tal tortuosa via,
não a mais escura, contudo a mais fria
qual a sentinela é a agonia.

D’angústia os sonhos se perderam
E quimera nasceu ditosa,
A devorar a agrura de minha idéia.

Monstro da noite
Deixe-me aqui
pra ver por ventura uma idéia surgir
poder descansar já não pretendo,
entretanto não quero divisar tua figura!
Dando vida a este tormento.



Duque de Caxias, 23 de Julho de 2009.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Noites claras


(Imagem: Insônia; Autor desconhecido)


Despido da razão qual me assola
Vago na estrada do desconhecido,
Pelos caminhos do pensar
Ou no beco dos segredos.
Nem sonhos me são permitidos,
Ou mesmo o amar pueril.
Na dor se faz escondido
O cantar que vivia outrora.

Eis! O calar rememora
No lar da sofreguidão silente!
Pois, o canto calado outrora
Mantinha esse ser vivente
Agora resta apenas o fantasma
A ladrar nas noites frias,
A depositar o confio das lágrimas
Aos cuidados da muda poesia.

E mesmo a musa que antes sustinha
O antigo peito enamorado,
Não cabe nos versos quadrados
De uma doce melodia
E nem há de correr pelos seios
Da antiga inspiração.
Perdendo-se na frieza
Das noites à luz acesa
A celebrar a solidão.

O metrô


(Imagem: O metrô; autor desconhecido)




O metrô avança um metro sem sentido
Por de baixo do concreto pensamento
Transportando incertezas sem destinos,
Libertando da distância a consciência.
O metrô desfaz o ciclo do destino
E propõe o refutar do espaço-tempo.
Leva o sonho pela beira do abismo
Revelando o desvio do intento,
O metrô transcende as gotas flutuantes,
Na clareza do espelho que nos cerca
Dá idéia de universo escuro e infindo,
Porém, apenas é o limite o que reflete.